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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Agradeça em todas as situações

SEBRAE-CE

Ocorre em Fortaleza, de 3 a 12 de fevereiro, no Centro de Convenções do SEBRAE, a Feira Internacional de Artesanato. Encontrei um peruano dia desses e perguntei se ele já aproveitou para conhecer a praia, apesar de ter vindo a trabalho. Respondeu-me que não gosta de praia. Ao ver minha cara de espanto, explicou que cresceu na praia. Hoje nem come peixe, pois comeu muito peixe na infância.
Minha cunhada mais nova sonha em morar em São Paulo e eu digo a ela “cuidado com os seus desejos, pois eles podem se realizar”. Minha amiga soteropolitana não frequenta mais o melhor Carnaval do mundo, pois diz que ele virou “Carnaval de gringo”. Ou seja, posso deduzir que, baiano mesmo, tem pouco no carnaval da Bahia.
Isso me levou a pensar em como valorizamos pouco o que temos e valorizamos muito o que não temos. Se, por um lado, a busca daquilo que não temos, faz-nos crescer e progredir na vida, levando a própria humanidade ao desenvolvimento; por outro lado, torna-nos eternos insatisfeitos, adiando a nossa felicidade para quando tivermos aquilo que ainda não temos.
Quantos de nós, hoje, agradecemos por termos olhos e podermos ver o dia nascer? Quantos de nós agradecemos por saber ler e escrever? Quantos agradecem por ter ouvidos que funcionam para ouvir sua canção preferida e também a preferida do vizinho que, por acaso, você detesta? Quantos agradecem?
Quantos hoje agradeceram por ter mãos que podem pegar uma caneta, um copo com água para matar a sede, um garfo com comida para matar a fome ou simplesmente acariciar a pele de alguém? E as pernas, que te levam pelos caminhos que você quiser ir, já agradeceu? E dos que agradeceram hoje, quantos agradeceram ontem? Quantos agradecerão amanhã?
Talvez por isso sejamos tão miseráveis! Estamos sempre olhando para o amanhã, reclamando do que não temos e esquecemos de viver hoje e agradecer pelo que temos. Talvez por isso o mar está tão agitado nas últimas semanas, a ponto de estar invadindo a Avenida Beira-Mar. Ele bate nas rochas, furioso, e espirra para fora da praia.
Porque somos egoístas. Porque o sujamos e o maltratamos. Porque cremos que sabemos tudo, a ponto de poder seguir nosso próprio caminho sem orientação de ninguém. Afinal, a vida é mesmo de cada um e cada um faz dela o que bem quiser. É por pensar assim que tem muita gente tirando a própria vida, cansado de esperar essa tal felicidade que não chega nunca. É incrível os argumentos que as pessoas usam para justificar um ato criminoso!
 “A vida de outrem eu não posso tirar, mas com a minha, eu faço o que eu quiser”, foi o que eu ouvi esta semana. Mas está escrito: NÃO MATARÁS e, mesmo no Código Penal Brasileiro, não existe crime MATAR. Existe homicídio e suicídio, o que prova que MATAR a si ou a outrem é a mesma coisa, do ponto de vista ético.


Ninguém quer morrer, de verdade. A vida é tão boa! O que as pessoas querem matar é a própria dor e não vêem outra forma que não seja matando junto a vida que alimenta a dor. O que as pessoas nessa situação dramática não compreendem – muitas vezes, por falta de vontade mesmo – é que se pode matar a dor com remédios e que a vida não alimenta a dor. De jeito nenhum! O que alimenta a dor são as escolhas erradas que fazemos, muitas vezes, porque, com esse relativismo moral instalado na sociedade atual, falta-nos um padrão para que saibamos distinguir o que é certo do que é errado.
Quando escuto esse tipo de lamento, vejo o quanto tem gente perdida no mundo, à deriva, sem objetivos, à espera de salvação. E olhem que ouvi isso de, pelo menos duas pessoas diferentes nos últimos dois meses. É alarmante! Uma (a desta semana) está tão decidida que disse que está fazendo um diário e pedirá para o filho dela me avisar quando realizar. Com a outra, não falo desde o Natal, o que me faz temer que já tenha acontecido o pior. Falta alguma coisa neste mundo... alguma coisa, não. Alguém.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Rompimento

Dentre todas as coisas que temos que enfrentar na vida, sem dúvida a pior de todas é a separação. O rompimento de um ciclo, a quebra de algo valioso (emocionalmente falando), o desenlace afetivo...
Muitas vezes tal separação ocorre com a morte de alguém e nos desesperamos, porque passará um longo tempo até que possamos rever a pessoa amada. Ou não. Ninguém sabe quando Jesus voltará. Mas sabemos que até lá, não veremos nem ouviremos a voz do nosso ente querido.
Outras vezes, a separação ocorre por motivos profissionais. Hoje em dia, com o advento da internet, praticamente não há mais esse rompimento e os verdadeiros amigos nunca se perdem. Por isso eu não sofri quando saí de São Paulo e vim para o Ceará. Sabia que tinha o Facebook, o MSN, o blog para manter contato com os meus amigos de São Paulo e ainda havia a certeza de que faria mais amigos aqui no Ceará. E assim foi que aconteceu. Sempre que volto a São Paulo, lá estão familiares e amigos de braços abertos. Posso dizer o mesmo com relação ao Rio Grande do Norte. Apesar de no ano passado, ter quebrado a média de uma visita por ano, estou certo de que, quando voltar, será como se o tempo não tivesse passado. Amizades verdadeiras são assim.
Hoje, porém, sofri um grande baque, pois soube que o primeiro amigo que fiz aqui no Ceará está de mudança para Sergipe. Amizades precisam de tempo de maturação, mas, como não tivemos isso, temo perder contato.
Há três pessoas pecadoras que considero o tripé da minha conversão: minha esposa Fernanda, meu colega de trabalho paulista Lincoln e o pastor da igreja da qual sou membro Josimar. E digo três pessoas pecadoras exatamente para que ninguém confunda com as três pessoas verdadeiramente responsáveis pela conversão: Pai, Filho e Espírito Santo. Este é o único perfeito e sem pecado.
Bem... hoje quebrou-se uma perna daquele tripé, pois o cabra que me mergulhou no tanque batismal, que passou o curso de noivos para mim e minha esposa e que, infelizmente - por falta de condições financeiras nossas e não de disposição dele - não pôde ir a São Paulo dirigir a cerimônia do nosso casamento, foi transferido para pastorear em Sergipe.
Ele era meu contemporâneo - apenas 5 ou 6 anos mais velho - minha esposa (noiva à época) conheceu a esposa dele e se deram muito bem. Como ambos também não eram de Fortaleza e, portanto, como nós, não têm família em Fortaleza, nossa amizade fortalecer-se-ia com o tempo. Ele também namorou a esposa à distância por dois anos!
Mas quis Deus que ele fosse para Aracaju, pois lá há mais ovelhas perdidas, mais gente necessitada daquele sorriso que resplandece a glória divina, daquele abraço que transmite a paz do SENHOR e das palavras calmas, que consolam, e sábias, que instruem.
Pastor Josimar, que Deus abençoe o seu ministério em Aracaju e que Ele possa prover todas as coisas necessárias à mudança e ao estabelecimento na nova cidade. Que abençoe a sua esposa e o pequeno Mateus - que ainda nem completou um ano de idade - e que nós ainda possamos nos rever nesta terra.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Eterna mesmice

Ano Novo, Carnaval, Páscoa, dia das mães. Festa junina, dia dos namorados, férias de inverno. Dia dos pais, dia da Independência, das crianças e de finados. Proclamação da República, férias de verão e Natal. Entre Ano Novo e Natal, muitos e muitos aniversários que não passam de pretextos para reencontrarmos as mesmas pessoas nos mesmos lugares.
Será que a vida é só isso? Uma chata repetição de datas comemorativas que, quando passa, deixa-nos mais vazios do que éramos antes? Passou o Natal e começou um Ano Novo. Daqui a pouco chega o Carnaval e vem a Páscoa. O que mudou? O que muda? O número do ano na hora de preencher um cheque, a escola de samba campeã do Carnaval, o tamanho do ovo de chocolate? Só isso? Às vezes, nem mesmo isso. Na essência, para falar a verdade, nada muda.
De vez em sempre, nasce um filho numa família, um neto em outra, alguém morre, outro alguém casa, não necessariamente nessa mesma ordem, e tendemos a pensar que houve uma GRANDE MUDANÇA. Na verdade, todas essas coisas servem apenas para confirmar a manutenção do status quo.
Suponha cada um de vocês que sois o centro do Universo. Vocês adoram isso, não? Quando vocês nasceram, tinham pais e avós – nem todos, eu sei, não vamos discutir por ninharia; apenas para seguir uma linha de raciocínio. Agora não têm mais avós, mas possuem filhos. Seus pais envelheceram e estão cada vez mais parecidos com seus avós. Em contrapartida, vocês também envelheceram e estão muito parecidos com o que eram seus pais. E os seus filhos, não lembram muito vocês quando tinham essa idade? E então, novamente cabe a primeira pergunta: o que mudou ao longo dos séculos?
A repetição que acontece todo ano é apenas um simulacro (semelhante, simultâneo, porém numa dimensão microscópica) da repetição que acontece em todas as vidas. A única coisa que mudou ao longo dos séculos é que alguns corajosos tentaram fugir do padrão, saíram de casa, brigaram com os pais e prometeram nunca se casar. Deram-se mal, pois isso tampouco os tornou felizes.
O pior de tudo é a certeza da morte. Seus avós morreram, seus pais certamente morrerão e, querendo ou não, sua hora também vai chegar. A vida é uma ponte que atravessamos e a morte é o Robin Hood, que fica do outro lado da ponte, atirando suas flechas, tentando nos derrubar. Quanto mais perto do fim da ponte, mais fácil é para o Robin Hood nos acertar. E, quando chegar o fim, o que você terá feito: plantado um filho, escrito uma árvore e criado um livro? Não sei... parece-me pouco demais... Verdade que ainda não fiz nenhuma das três coisas, mas é exatamente porque, quando digo “pouco demais”, quero dizer pouco estimulante.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Proposta de casamento - parte 3

Eles viveram a primeira lua-de-mel antes mesmo de casarem. Bem... faltou um pouco de mel nessa lua, mas eles realmente não queriam ofender a Deus, contrariando a palavra Dele. Todas as bênçãos caíram sobre eles, desde que entregaram suas vidas a Cristo e não estavam dispostos a arriscar. Depois de casarem, certamente um Reino de Prazeres os esperaria, mas poderiam perder tudo se não controlassem suas ansiedades.

No primeiro sábado do mês de setembro, ele foi à igreja de manhã, dormiu à tarde e viu a noite chegar na beira da praia. Via um casal namorar, lembrava dela e pensava: "Amanhã ela estará aqui"; já ela, pela primeira vez, dormiu até a uma da tarde e perdeu o culto religioso. A vida é mesmo engraçada. Ele começara a ir à igreja influenciado por ela. Agora ele vai sozinho, mesmo que ela fique dormindo.
Pensando bem... dormir até às 13h foi providência divina, pois, depois, ficaram arrumando as malas até a uma da madrugada. Ambos no telefone. Ele ajudando a lembrar do que ela não poderia esquecer e ela guardando as coisas na mala.
Dormiram pouco naquela noite. Apesar de terem desligado os telefones à 1h da manhã, ele ficou mais meia hora se despedindo de algumas pessoas no MSN e ela foi consertar a besteira que o cabeleireiro fez no cabelo dela na tentativa de uma escova progressiva. Às 2h da madrugada, mesmo com o frio que fazia naquela cidade, ela mergulhou dentro do chuveiro e refez a escova. Não podia chegar feia para vê-lo. Como se isso fosse possível...
Ele também se preparou para recebê-la: cortou cabelo, unhas e antes de ir buscá-la no aeroporto foi ao barbeiro fazer a barba com um profissional.
Ela dormiu pouquíssimo, pois deveria estar no aeroporto internacional Franco Montoro às 8h40min. Seria seu primeiro vôo e ela estava com medo. Queria tanto que ele estivesse junto no primeiro vôo. Para segurar na mão dele e sentir que nada de ruim poderia lhe acontecer. Mas ele não estava. A esperava, sim, no destino final.
Ele dormiu mais do que ela, porém menos do que gostaria. A ansiedade não permitiu e acordou uma hora antes do que havia planejado. Rolou um pouco na cama, porém, vendo que não dormiria novamente, levantou-se e foi cuidar da vida. Chegou ao aeroporto com uma hora de antecedência, pois a gerente da pousada onde mora disse para ele ir cedo, já que era domingo e os ônibus demoram mais e ele teria que tomar dois ônibus. Mas o encontro deles estava tão abençoado que o primeiro ônibus não demorou nadinha. O segundo demorou um pouco. Mas ele esperou no terminal urbano do Papicu lendo a Bíblia. A parada em que desceu ficava bem em frente ao aeroporto. Perfeito!

Casal vassoura. Credo! Quanta magreza!
Esperou quase duas horas. Ansiedade controlada. De repente, ei-la que surge portão de desembarque afora. Estava linda! Óculos escuros, vestido preto e um cinto que parecia uma corrente. O primeiro beijo não foi logo no primeiro instante. Vocês estão pensando o quê? Que ela é fácil?! Foi no segundo. Sentiram o coração disparar e o chão abrir debaixo deles. Mas eles não caíram. Não; eles flutuavam.
Alugaram um carro. Incrível! Após ler todas as histórias de barbeiragens dele, ela ainda confiava nele para dirigir. Por isso, ele queria casar com ela. Ela o fazia sentir-se forte, confiante. Ele pegou na direção e, para variar, se perdeu. Fazia apenas 15 dias que estava na nova cidade e não conhecia nada. Ela o compreendeu. Disse: "Eu estou aqui a passeio. Não tenho pressa. Por onde você me levar, está bom". Deu muitas voltas, passou três vezes em frente ao estádio de futebol da cidade até que finalmente achou a praia.

Espigão da Ideal
Ele viu um boteco muito chique, em frente ao Espigão da Ideal, O BOTECO DA PRAIA, que, desde que ele chegara à nova cidade, tinha vontade de ir, mas achava que um boteco daquele nível merecia uma acompanhante de nível também. Quem melhor do que ela? Sempre que passava em frente àquele boteco, pensava em levá-la. Tomaram alguns sucos: cajá, acerola, graviola e comeram duas tilápias enroladas no tomate. Inesquecível! Uma delícia!
Finalmente chegara o dia! Estacionaram o carro e ela telefonou para a mãe. Depois foram ao Espigão da Ideal, sentaram-se nas pedras no final da ponte, admiraram o pôr-do-sol e fizeram uma oração em agradecimento à chegada dela e ao encontro deles. Foi a primeira vez que oraram abraçadinhos.
Depois, voltaram para a pousada. Descarregaram a mala dela e, enquanto ela tomava banho - gelado, algo que ele ainda não contara para não desanimá-la - ele foi arranjar um transformador para que ela pudesse secar o cabelo e colocá-lo na chapa (alisar). Ele até pensou que não fosse dar tempo de preparar a surpresa que ele tinha em mente, mas... ela demora muito no banho. Deu tempo. Pegou o CD do Bruno & Marrone, selecionou a faixa 3 e, quando ela saiu do banheiro, cantou para ela.

 

Até dançaram. Quer dizer, deram dois passos para lá, dois para cá. Dentro do quarto para passar o mínimo de vergonha possível. Mas foi a primeira dança deles juntos.
Enfim ela respondeu: SIIIIIMMMMM!!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Tristeza louca

Hoje eu estou triste. Estou triste porque o Santos é só o segundo melhor time do mundo. Estou ainda mais triste porque mais uma vez o meu pé esteve mais frio do que o de um defunto. Mesmo morando em Fortaleza! E estou mais triste ainda pela minha ingenuidade: eu sabia que o Barcelona era muito melhor. Mas em 2009, depois de tudo, eu ainda tive a cara de pau de torcer para o Rubinho Barrichello! A vida é assim mesmo... quebramos a cara até aprender. Quando aprendemos, não quebramos mais. Enquanto não aprendermos, continuamos quebrando.
Muitos leitores perguntam-me por que parei de escrever sobre futebol. É que, devido ao profundo respeito que tenho por todos vocês, entendi que não posso escrever o óbvio. O óbvio vocês lêem na Folha, no Estado, no Globo, Correio Brasiliense, etc. Este blog precisa ver, perceber e contar coisas diferentes. Por exemplo, o que podemos aqui falar (escrever) sobre o time do Barcelona que já não tenha sido dito ou escrito nos programas de televisão ou nos jornais de circulação diária? Entretanto, podemos registrar a frase de um senhor aqui da pousada, cujo nome ainda não tive a delicadeza de perguntar, mas que é pai de dois filhos: Ian (6 anos) e Ivna (3 anos). Disse o senhor que esse time (Barcelona) joga futebol de salão no campo. Realmente interessante a observação. Quem conhece as técnicas e as diferenças de ambos os terrenos, dará razão a ele.
Já que me lembrei do nome das crianças, também aproveitarei para contar mais dois casos de como a situação da minha loucura está se agravando. Semana passada, o garoto – filho do cara – me viu e exclamou: “RA-FA-EL!!!” Não sei porque essas crianças foram com a minha cara. Sempre que me vêem, é a mesma exclamação. Então denunciei a minha idade:

- Qual é o seu nome mesmo?
- Ian.
- Ah, o dela é Ivna, né?
- É.
- Desculpa, mas o dela é mais fácil porque é mais difícil.


Na hora, eu percebi a besteira que eu disse e quis tentar consertar. Mas, como diz o ditado: quando fizer merda em local inadequado, vire as costas e vá embora, pois quanto mais você mexer, mais vai feder.

Disse eu:


- Quer dizer, é mais fácil decorar, porque é um nome mais difícil, mais incomum.

A mãe das crianças deve ter pensado: esse cara é louco! Mas porque a mãe estava lá, não pude usar o argumento que me livraria. Em cursos de memorização, a dica é tornar as coisas que você quer memorizar absurdas. Por exemplo, nunca me esqueci de uma fórmula química que eu nem sei mais para que serve, mas da fórmula eu lembro, porque o professor formou uma frase absurda com ela impossível de esquecer: P.V = n.R.T, ou seja, pressão multiplicada pelo volume é igual ao número de mols multiplicado por uma constante invariável multiplicada pela temperatura. Por que nunca esqueci? O professor disse “Passaram a Vara no Rabo do Thiago”. Porém, eu não podia dizer que o nome da garotinha era absurdo na frente da mãe dela.

E nessa semana, eu não consegui marcar o encontro de uma amiga com a minha noiva para entrega do convite de casamento. A digníssima teve uma grande idéia: peça o endereço que eu mando pelo correio.

Beleza, no outro dia ela pergunta: “E o endereço?”. E eu: “Ela ainda não me mandou nenhum e-mail para eu responder perguntando”. Responder perguntando? Estou começando a ficar preocupado com o meu quadro mental... acho que a minha noiva deveria incluir nos exames pré-nupciais um laudo de sanidade mental.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Assassinado por um clipe

Trabalhar no Banco do Brasil enlouquece qualquer um.
Na minha mesa há dois copos de plástico: um com clipes e outro com água. O copo da água nem sempre está cheio, é claro.
Quantas vezes um gerente troca o nome de um cliente, um caixa faz um depósito quando na verdade era para sacar, alguém sai pro almoço sem bater o ponto, etc.
Anos depois dos bancos privados terem digitalizado os cartões de autógrafos para que seus clientes possam reconhecer firma em qualquer agência do banco no Brasil, finalmente o bicentenário Banco do Brasil passou a fazer o mesmo. Atualmente, na minha agência, eu sou o (ir)responsável por isso.
Sou obrigado a fazer numa máquina diferente da que eu trabalho normalmente o referido serviço. Afinal, deve ser muito difícil colocar o scanner em rede.
Vinha eu caminhando do lugar
onde faço as digitalizações para o meu posto de trabalho habitual, quando jogo o clipe, sem perceber, é claro, dentro do copo com água.
Enquanto for isso, tudo bem. O problema será quando eu beber o copo todo de clipes. Já estou até ouvindo as conversas no meu velório:

- Morreu de quê?
- Engasgou com clipes.
- Nossa! Que horror! Parecia gostar tanto da vida... deixou carta, alguma coisa?
- Não, ele não quis se matar. Foi um acidente.

O interlocutor não se agüenta. Começa a rir.

- Desculpa. Mas... como "acidente"?
- Ele confundiu o copo de clipes com o copo de água.

O interlocutor cai no chão de tanto rir.

- Desculpa, mil desculpas, sei que não é o momento pra isso, mas... é hilário! Não acredito que isso aconteceu! Preciso de uma prova. Se eu contar, dirão que a minha imaginação é muito fértil. Como pode confundir? Os dois objetos são totalmente diferentes: um é sólido, o outro é líquido; um é metálico; o outro é incolor; é INCONFUNDÍVEL!
- Cara, se você contar para quem não o conhecia, realmente... duvidarão. Mas se você contar para quem o conhecia, a melhor e única explicação que se pode dar é: "Cara, era o Greghi. Ele era assim... morreu como viveu".

Como diria o meu irmão: "Só dá cabaçada!"

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pé frio

Meus queridos leitores, é com muita vergonha e tristeza que venho confessar algo a vocês. Vergonha por ter escondido o meu passado durante tanto tempo, principalmente dos caríssimos colegas do CSL SÃO PAULO. Meu colegas e amigos da época da faculdade é claro que já sabem, mas a eles eu reservo a tristeza de mais um exemplo da triste constatação: EU JÁ FUI CORINTHIANO E EU SOU PÉ FRIO.
É verdade, colegas do CSL SÃO PAULO, eu já fui corinthiano, daquele tipo normal, ou seja, chato, fanático... meus amigos e colegas da turma de formandos de 2005 da Universidade São Judas Tadeu, curso de Comunicação Social-Jornalismo não me deixam mentir. Naquele ano, quando o Corinthians foi tetra, a semente do Jovem Dragão foi plantada. Eu semanalmente escrevia sobre a rodada do Brasileirão para zoar os que eram contra. Vejam o primeiro texto do blog e saibam como surgiu a idéia (http://jovem-dragao.blogspot.com/2010/08/alo-leitores-do-brasil-do-mundo-da.html). Quando o Corinthians foi campeão, naquele ano, lembro que peguei o rádio do quarto, abri a janela da sala e botei o hino do Corinthians no mais alto volume para tocar. A intenção, claro, era provocar o porteiro do prédio, palmeirense.
Apesar de hoje não ser mais adepto da Teoria da Evolução, acho que a cabeça é redonda para as idéias circularem e, enquanto estamos nesse mundo, podemos e devemos evoluir. Tudo o que está escrito no texto A PAIXÃO É UMA DROGA (http://jovem-dragao.blogspot.com/2011/05/paixao-e-uma-droga.html) deste mesmo Jovem Dragão vale tanto para pessoas quanto para times quanto para religiões, posicionamento político e por aí vai.
Eu precisava me desintoxicar desta droga chamada Corinthians. Ele me fazia sofrer. Eu ficava chateado e magoado com o meu próprio irmão por causa disso! Não valia a pena estragar um relacionamento por causa de um time.
Uma vez, no primeiro ano do ensino médio, eu denunciei dois são-paulinos de terem rasgado ou furtado – já nem lembro mais – uma camisa do Corinthians sem ter absoluta certeza. Baseado unicamente no meu instinto dedutivo. Na época, eu estava lendo muitos livros do Sherlock Holmes e acho que quis trazer a ficção à realidade. Enfim, perdi uma amizade. O outro cara me perdoou e até hoje tenho uma dívida de gratidão para com ele.
Fui deixando de ser corinthiano aos poucos... talvez ainda não tenha deixado totalmente de ser, mas o corinthiano que ler isso, dirá “Blasfêmia! Nenhum corinthiano, ainda que seja um pouquinho só diria essas barbaridades!” Todo corinthiano tem uma “quedinha” pela Macaquinha de Campinas, devido à quebra do tabu em 1977. Comigo não era diferente e, enquanto a Ponte esteve na primeira divisão, sempre torcia também para ela.
Nessa tentativa de me desapaixonar do Timão, escolhi o São Caetano para torcer por causa dos grandes feitos do início do século. O São Caetano veio resgatado da Terceira Divisão num Campeonato Brasileiro fajuto chamado Copa João Haveange com a única desculpa de resgatar o praticamente falido Fluminense que até hoje é o único clube a conseguir a proeza de ser bi-rebaixado (duas vezes rebaixado na mesma divisão) e tri, se considerar que ainda por cima caiu para a Terceira Divisão. Maus tempos do Fluzão. Ele estava na lama!
Resgatado na base do “tapetão”, a justiça divina é infalível e o Tricolor das Laranjeiras mostrou que não tinha um time de primeira. Caiu frente ao poderoso São Caetano de Adhemar.
Talvez o Fluminense fosse muito ruim mesmo, mas não. O Azulão é que era bom: passou depois por Palmeiras, Grêmio e teria sido campeão em cima do Vasco da Gama, não fosse o mafioso Eurico Miranda inventar de querer fazer um jogo desse nível em São Januário e não no Maracanã. É óbvio que o estádio ficou superlotado. A grade de proteção cedeu e muitos torcedores ficaram feridos. Daí, ao invés do árbitro encerrar o jogo e dar o título ao São Caetano (que naquele momento tinha o resultado a seu favor), teve que ceder à nefasta influência de Eurico Miranda, que decidiu marcar um terceiro jogo – que não tinha previsão no regulamento – e auxiliar seu time que não teve competência para vencer o Azulão durante o tempo honesto. Ora, em vez de serem punidos, foram beneficiados com o terceiro jogo e levaram a taça João Havelange. Uma indecência!
Depois disso, em 2001, mais uma vez o Azulão chegou à final do Campeonato Brasileiro, perdendo para o Atlético-PR. E em 2002, o auge: chegou onde jamais o Corinthians chegou: à final da Libertadores. E perdeu de novo! Oh, meu Deus! Para o Olímpia, do Paraguai. Foi nessa época que comecei a desconfiar do meu pé frio.
Em 2004, finalmente o Azulão deixou a fama de vice e ganhou o Campeonato Paulista – um título de menor expressão.
Quatro anos após a derrota do São Caetano na final da Libertadores da América, a primeira peça do quebra-cabeça encaixou-se.
Eu torcia muito pelo Michael Schumacher, pois, como eu era novo demais quando o Senna morreu, o alemão foi o melhor piloto que eu já vi dentro de um carro de Fórmula 1. Admiro-o pois ele nunca se cansou de vencer. Ele gostava, se divertia, era um exemplo de como devemos proceder no trabalho.
Em 2006 seria o último ano dele na Fórmula-1. Eu queria que ele fechasse com chave de ouro. Seria octacampeão. E eu também não queria que o espanhol Fernando Alonso quebrasse o recorde do rei dos recordes (Schumacher) de ser o mais jovem bicampeão mundial de Fórmula-1.
Até comprei ingresso para “me despedir do Schumacher”, como eu disse à minha mãe à época. Acompanhei cada prova da temporada daquele ano. Alonso começou muito melhor, abriu uma grande vantagem, mas da metade da temporada para o final, Schumacher foi buscar, ponto atrás de ponto, vitória atrás de vitória.
Eu fiquei acordado até às 2h da manhã para assistir ao Grande Prêmio do Japão. Até às 4h da manhã, hora que terminou. Fernando Alonso e Michael Schumacher chegaram ao penúltimo Grande Prêmio da temporada com o mesmo número de pontos. A minha torcida era para que o alemão chegasse em primeiro e o espanhol em segundo. Seria emocionante no Brasil! Pelo menos, o alemão chegaria em vantagem. Seria a primeira vez no campeonato inteiro que ele passaria à frente do espanhol. Seria uma virada espetacular, bem no final do campeonato, bem ao estilo Schumacher! Hoje sei que ele teria conseguido se eu não torcesse por ele.
Fazia 6 anos que o motor Ferrari não estourava. Desde o Grande Prêmio da França, no ano 2000. Justo naquela madrugada brasileira, tarde japonesa, quando o alemão liderava a corrida e o espanhol vinha em segundo, exatamente como tinha que ser, a droga do motor Ferrari foi pro saco. Vejo o carro vermelho “fumando” e o alemão parando. Era o fim da linha. Acabara o sonho do octa. Matematicamente, ainda era possível, mas... só um milagre! O milagre não aconteceu e Fernando Alonso terminou na frente de Michael Schumacher no Grande Prêmio do Brasil, sagrando-se o mais jovem bicampeão da história – título esse que outro alemão, Sebastian Vettel, tratou de destruir neste ano.
Está legal... pelo menos, vi Felipe Massa ser pole position e ganhar a corrida naquele ano. Fazia 13 anos que um brasileiro não ganhava o GP Brasil de F-1.
Em 2007, o meu pé estava mais frio do que nunca! Sem Schumacher, eu precisava achar outro piloto para torcer. Achei o ousado, arrojado e rápido Lewis Hamilton. Ele estava bem, liderando o campeonato com sangue frio, mas o sangue frio dele não foi mais frio do que o MEU pé e ele cometeu dois clamorosos erros nas duas últimas provas da temporada, fazendo com que o título caísse no colo do finlandês Kimi Raikkonen.
Como se isso não bastasse, eu torcia para três dos quatro times que caíram para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro naquele ano: Corinthians, Ponte Preta e São Caetano. Como enquanto eu estive vivendo em São Paulo, torci para o São Caetano somente, o Corinthians voltou a ser campeão neste ano e a Ponte Preta voltou para a primeira divisão. Já o São Caetano... brigou para não cair para a terceira.
Em 2008, decidi não torcer pelo Hamilton. Aquele piloto não era digno de confiança. Pipoqueiro. Onde já se viu fazer o que ele fez ano passado? Vou torcer pro Massa que é brasileiro. E ele foi bem. Chegou a ser campeão mundial por 30 segundos. Fez o que tinha que fazer: ganhou a corrida. A torcida toda secou o Hamilton e aconteceu o que tinha que acontecer: ele estava em sexto. Por mais improvável que parecesse, Felipe Massa seria campeão. Mas eu estava lá. Novamente eu fui ao autódromo José Carlos Pace e vi quando o pneu do Timo Glock não aguentou e Hamilton ultrapassou-o na última volta, bem na minha frente. Foi horrível! Uma sensação de coito interrompido, sabem? O Massa tinha vencido a corrida, a taça na mão e, de repente... tudo vai por água abaixo. Literalmente. Para completar a tarde frustrante daquele domingo, caiu um baita de um pé d'água e cheguei em casa encharcado!
Nem vou falar de 2009, quando o idiota, ingênuo aqui quis torcer pro Rubinho Barrichello. Vê se pode. Pô, o cara tinha carro, pelo menos. E não tinha um Schumacher fazendo sombra nele. Ele podia ter vencido mais. Mas é o Barrichello, né? Foi muita ingenuidade minha. De qualquer forma, é mais uma para o meu currículo. Daí, junta o meu pé frio com o do Barrichello e pronto: acabamos com a carreira do Massa, que nunca mais foi o mesmo desde que levou aquela “peçada” do Barrichello.
Para finalizar a história, nesse ano vim morar em Fortaleza e, ainda em São Paulo, decidi: vou torcer pro Ceará, porque eu não gosto de tricolor. A verdade é que eu odeio o tricolor paulista. Não todos os tricolores, mas... é um critério de escolha.
Chegando aqui, nem precisei de muito tempo para secar o Vozão. Estou morando apenas há quatro meses aqui e o que aconteceu? O Ceará acaba de cair para a série B do Campeonato Brasileiro. E o pior é que eu fico sinceramente triste por isso. Pois também é de coração que eu torço. Eu queria tanto torcer para o São Paulo Futebol Clube. Ah! Como eu queria! Mas só dá certo quando é sinceramente.
E o ridículo Palmeiras, que no Campeonato Brasileiro de 2009, não só perdeu, como nem a classificação para a Libertadores da América conseguiu? Confesso que torci pra ele. Mas era só para o São Paulo não ser tetra. Chegou uma hora que até falei: “vamos, Palmeiras! Já que você não colabora, terei que torcer pro Flamengo. Alguém tem que tirar esse título do São Paulo”. Pelo menos, isso deu certo. Mas acabei ferrando o Palmeiras de verde e amarelo. Quero dizer, de verde e branco.
E agora, em 2011, apesar de todo o esforço que o Corinthians fez para perder o campeonato, não conseguiu. Simplesmente porque eu não torço mais pra ele. Se ele for campeão da Libertadores no ano que vem, nem sei o que farei. Não digo que me matarei, mas sei lá... que eu merecia, merecia.
Quem será a minha próxima vítima?